segunda-feira, março 12, 2007

Conheça o Motoqueiro Fantasma!!

Motoqueiro Fantasma

Por Rober Machado

O herói

Existem vários personagens com o nome de Motoqueiro Fantasma (Ghost Rider no original). O primeiro foi um pistoleiro do Velho Oeste criado em 1949, que posteriormente inspirou a Marvel a criar um personagem nos mesmos moldes em 1967, com participação de um dos criadores do primeiro. Era um pistoleiro que combatia o mal vestido com uma roupa luminescente branca. Vários personagens assumiram essa identidade de Ghost Rider, o primeiro chamava-se Carter Slade, outro foi seu irmão Lincoln Slade. Quando a Marvel decidiu lançar na década de 70 um personagem com o mesmo nome, o pistoleiro foi alterado para Phantom Rider, inclusive nas republicações de histórias. No Brasil, esse personagem ficou conhecido como Cavaleiro Fantasma, que é uma tradução adequada a ambos nomes originais.

Em 1972 surgiu a versão mais conhecida do Motoqueiro Fantasma, escrita por Roy Thomas e Gary Friedrich e desenhada por Mike Ploog. É a história de Johnny Blaze, um dublê que faz apresentações de moto num circo. Para salvar seu pai adotivo, Crash Simpson, de um câncer terminal, Blaze vende sua alma para Mefisto, entretanto o pai morre num acidente de moto. O amor de Roxanne, filha natural de Crash, por Blaze impede que sua alma seja levada. Como vingança, Mefisto faz com que um demônio se aposse de Blaze, tornando-o encarregado de levar espíritos malignos para o Inferno.

Numa edição de 1981, surgiu o personagem Hamilton Slade, um descendente do pistoleiro Lincoln Slade, que se torna o atual Cavaleiro Fantasma após entrar em contato com os espíritos de seus ancestrais.

A série do Motoqueiro Fantasma durou até 1983, quando Johnny Blaze livrou-se da maldição de Mefisto, casou-se com Roxanne, tiveram dois filhos e viveram felizes por algum tempo (nada é “para sempre” na Marvel).

Um outro Motoqueiro Fantasma surgiu em 1990 e chamava-se Daniel Ketch. Fugindo de gangsters, Ketch encontra uma moto num ferro-velho com um símbolo místico, ao tocá-lo transforma-se no Motoqueiro Fantasma. Os poderes são parecidos com o Motoqueiro anterior, mas o visual é mais moderno. Johnny Blaze apareceu em algumas histórias ajudando o novo herói e depois se descobriu que os dois eram irmãos e que havia uma antiga maldição na família que levava seus membros a serem hospedeiros do espírito do Motoqueiro Fantasma. A mãe deles era a dona da moto que Ketch encontrara no ferro-velho. Além de Blaze, esse Motoqueiro possuía outro mentor, um personagem chamado Coveiro. Um dos inimigos do herói era Coração Negro, o filho de Mefisto. Essa série durou até 1998, com Daniel Ketch indo para o Inferno e tornando-se o Anjo da Morte.

Numa minissérie publicada em 2001, Johnny Blaze voltava a sofrer da maldição do Motoqueiro Fantasma. Uma outra minissérie em 2005 preparou terreno para uma nova série mensal, que começou a ser publicada em julho de 2006. A série só voltou para as bancas em virtude do lançamento do filme.

O filme

Não é uma história tão complexa quanto a de X-Men, nem um personagem com fãs radicais como o Homem-Aranha, portanto mais fácil de ser adaptado para um filme de duas horas. O Motoqueiro do filme é o Johnny Blaze, mas tem alguns elementos de Daniel Ketch. Começa contando a história de Carter Slade, que era o Motoqueiro anterior, que também que fez um pacto com Mefisto. Mesmo sendo um personagem de faroeste, ele foi chamado nas legendas brasileiras de Motoqueiro. A história familiar de Johnny Blaze é bastante simplificada, resumindo-se a seu pai verdadeiro que sofre de câncer, o que motiva o jovem Johnny vender sua alma. Simplificação também é o tom do restante: Mefisto dá poderes para Blaze caçar seu filho Coração Negro, o herói recebe a ajuda do Coveiro (que se revela ser outro personagem) e tenta reconquistar o amor de Roxanne. Isso é o filme inteiro. Histórias simples geralmente costumam funcionar no cinema, quando bem feitas. Esse não é o caso.

O diretor e roteirista Mark Steven Johnson havia escrito e dirigido Demolidor e assinado o roteiro de Elektra, então não dava para esperar muita coisa. Sutileza é uma palavra que não consta do vocabulário dele, tudo tem que ser mostrado e explicado claramente e depois ainda reforçado. Com a história que tinha em mãos, poderia ter feito um filme sombrio, mas não, é quase um filme-família. As crianças só não devem ver o filme porque os vilões são feios e podem causar pesadelos nos pimpolhos.

O filme tem um pouco de terror que não assusta ninguém, é bem previsível; tem um pouco de ação, mas nada empolgante; tem um pouco de romance que se resumem a alguns beijos; tem um pouco de clima de faroeste de segunda categoria; tem um pouco de humor e é justamente nesse quesito que sai melhor.

O herói na sua forma humana tem a peculiaridade de gostar de jujubas e de Carpenters. (Características que são mostradas e logo esquecidas.) Tudo bem que queriam fugir do clichê do motoqueiro fumante e que ouve rock pesado, mas precisava ser Carpenters? Só que no restante do filme é usado o rock dos anos 70 na trilha sonora, quer dizer, o próprio filme não é condizente com a personalidade do seu protagonista. Se bem utilizado, ficaria interessante ter Carpenters em toda a trilha ou, no mínimo, seria ousado. O pior foi uma versão horrorosa de Ghost Riders in the Sky que toca nos créditos finais, é o sinal para você sair correndo do cinema.

Nem tudo está perdido, existem pontos positivos. Sam Elliot merece destaque no papel de um velho caubói. Peter Fonda compõe um bom Mefisto, que é traiçoeiro, egoísta e sem arroubos de maldade pura. O problema está na direção que usou efeitos especiais para reforçar o lado maligno dele, como se o ator não tivesse talento o suficiente para ser intimidador. No fim das contas, as partes boas do filme se resumem a Peter Fonda, Sam Elliot e os peitos de Eva Mendes.

O ator

No caso específico desse filme, precisam ser comentados alguns fatos da vida Nicholas Kim Coppola. Sobrinho de um dos mais importantes diretores do cinema americano, o jovem virou ator, mas não queria que ficasse conhecido devido ao sobrenome. Como era um grande fã de quadrinhos, escolheu como sobrenome artístico o mesmo de um super-herói da Marvel: Luke Cage. Assim nasceu Nicolas Cage. Depois de virar um grande astro, declarou em várias entrevistas que queria fazer um filme de super-herói. Tentou várias vezes e nunca dava certo. O problema é que Cage não se parece com nenhum herói conhecido. Isso gerou inúmeras piadas no mundo dos quadrinhos, sempre que era divulgado algum filme de super-herói, o nome de Nicolas Cage estava no possível elenco mesmo que ele nunca tivesse sido envolvido no projeto. Chegou até ser cogitado para ser o Superman num filme que seria dirigido por Tim Burton. Por incrível que pareça, esse filme esteve muito perto de ser feito.

Quando se casou com a filha do Elvis, a Lisa Marie Presley, ela o convenceu que vendesse sua coleção de quadrinhos, que ocupava muito espaço. Pouco tempo depois, Cage se arrependeu. Do casamento e da venda. (Aprendam, meninos!) Com sua atual esposa teve um filho que deu o nome de Kal-El. Sim, o nome kryptoniano do Superman.

O fato é que Nicolas Cage finalmente conseguiu fazer o seu tão desejado filme de super-herói. Diz ser fã do Motoqueiro Fantasma há muito tempo, tanto que tem uma tatuagem do herói. Ironicamente, teve ser escondida com maquiagem para fazer o filme.

Se ele queria ser tanto um herói de quadrinhos, poderia ter se esforçado mais na interpretação. Suas cenas na frente do espelho poderiam querer dizer alguma coisa como dúvida existencial, dualidade do personagem, busca de algo real numa imagem projetada, mas não, são somente cenas patéticas.

Motoqueiro Fantasma não chega a ser tão ruim quanto parece, não é algo que vai ser execrado por muitos anos, é somente um daqueles filmes que se esquece no momento que termina. Nem vale o preço do ingresso.

2 comentários:

victor disse...

Ah, eu sabia, eu sabia. O trailler já entregava a tristeza toda da produção. O Nicholas Cage parece tão determinado a ser super-herói que ainda vai fazer o papel de Feiticeira Escarlate.

Rodrigo disse...

Definitvamente não é um filme tão horrendo quanto Batman e Robin, afinal esse é hors concours em se tratando de destruir um personagem de quadrinhos no cinema. Mas foi a primeira decepção do ano, em se tratando de adaptações de quadrinhos.