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FRACASSO DE PÚBLICO
Embora se diga no material de divulgação que Fracasso de Público é uma revista para quem gosta de Estranhos No Paraíso, me parece muito mais indicada para admiradores dos filmes de Woody Allen, dos livros de Nick Hornby ou dos quadrinhos de Peter Bagge.
E é disso que vou falar. Quanto a sinopse e aparência e tudo mais, vale o trailer de divulgação da GAL:
Eu explico porque eu acho que ele parece com quem eu acho que parece:
O trabalho de Alex Robinson, ganhador dos prestigiados prêmios Eisner e do Festival de Angouleme, é como de praxe no mercado americano, algo autobiográfico .
Não no sentido de que Umbigo sem fundo (Dash Shaw), Retalhos (Craig Thompson) ou Um sonhador (Will Eisner) o são. A biografia de Robinson pauta situações e a discussão sobre o mercado de quadrinhos americano e a situação do autor. Há um núcleo de 5 personagens principais, o que já dispersa a narrativa – no bom sentido – em algumas linhas e diminui o grau de subjetividade, em comparação às três outras obras.
Robinson destila um humor de risos e sorrisos e não de gargalhadas, do mesmo modo que faz os filmes de Woody Allen. Esse humor alivia situações que poderiam descambar para o drama exagerado.
As referências pop e as citações podem por em paralelo o álbum com os livros do escritor inglês Nick Hornby. Mas o que é indústria da música em Hornby, é o mundo empresarial das editoras de quadrinhos para os personagens de Robinson.
A HQ se parece com o trabalho de Peter Bagge ao trazer personagens masculinos fracassados: um vendedor de uma livraria que odeia seu emprego e quer ser escrito e um desenhista de quadrinhos que nunca publicou, por exemplo. A diferença é o grau do sarcasmo – que é muito maior em Bagge – fazendo com que Fracasso de Público tenha um apelo mais sensível.
Li em alguns lugares que Fracasso de Público seria mais um quadrinho independente americano de problemas entre pais e filhos. Neste primeiro volume, isso não é verdade. O que assemelha o trabalho de Robinson com Craig Thompson, por exemplo, é a inserção dos personagens no cotidiano. Mas não há subjetividade ou conflitos familiares tão marcantes quanto em Retalhos. O personagem Ed, que é forçado pelo pai a trabalhar com ele na loja da família, tem nesse conflito uma parte menor de suas narrativas.
Ah: atenção leitor, embora a única indicação seja o número 1 na lombada do álbum, Fracasso de Público não é uma história autocontida e segue no volume seguinte, que esperamos, venha a ser lançado pela GAL.






Fractal, de Marcela Godoy (roteiro) e Eduardo Ferigato (arte)
A Devir é uma editora que publica muito quadrinho nacional de autor. Por mais que a qualidade varie bastante, é uma iniciativa louvável, afinal os quadrinistas nacionais têm que ter um espaço para mostrar ao público o seu trabalho. Pois sem a apreciação, não pode haver o retorno; e sem o retorno, por sua vez, não pode haver a avaliação e o aprimoramento dos artistas de quadrinhos.
E se abrir essa porta já é digna de louvor, fazer passar por ela autores competentes é ter Fractal como resultado.
Importante lembrar que essa HQ foi contemplado no PROAC (Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo) e, portanto, recebeu subsídios do estado. Bem que o Paraná podia ter um programa de incentivo desses.
De volta ao que importa. O álbum é curto: uma história centrada em um personagem principal, com reviravolta final e tudo mais que manda a cartilha da história policial. Fractal é a investigação policial em busca de um serial killer à solta em São Paulo.
O personagem principal é Liel, um perito da divisão de homicídios da Polícia, que além de ter que parar esse serial killer, ainda tem uma série de problemas com sua namorada, Isadora.
A ambientação paulistana, tão marcadamente urbana, conta a favor do desenvolvimento do roteiro de Marcela Godoy. Embora algumas situações sejam um pouco “já usadas demais”, o enredo é convincente e prende o leitor. A autora passou 4 messes acompanhando a perícia da divisão de homicídios para poder desenvolver os personagens e o cenário da trama. A chocante cena que abre a obra foi presenciada pela roteirista e transcrita como ficção. Destaque também para o texto, que é muito bom.
A arte de Eduardo Ferigato é bastante competente e detalhista. Embora seu desenho não seja de muitos traços, optando por formações mais econômicas, não há prejuízo pro realismo – que é importante nesse álbum -, nem para o detalhamento – que também é muito importante para essa história.
O álbum contou com apoio do pessoal do Quanta Estúdio. A própria Marcela Godoy revela que essa história foi “encomendada” por Renato Guedes (Action Comics), que acabou sem tempo para desenhá-la, passando os lápis para Eduardo Ferigato. Sem falar que a bela capa é de Marcelo Campos (Quebra-Queixo).
Tudo somado, Fractal funciona direitinho. Imperdível para os fãs de histórias de crime e mistério.







