quarta-feira, agosto 12, 2009

VIDA BOA, de Fabio Zimbres por LIELSON ZENI


VIDA BOA, de Fabio Zimbres

Sabe aquele seu amigo que faz tudo errado? (ou será que é você mesmo?): se dá mal em relacionamentos, sempre derruba o refrigerante na toalha, fala a coisa errada e nunca dá sorte com empregos.

Ponha isso em preto e branco, em um traço incerto e pouco retilíneo, coberto e recheado com ironia e mau-humor e você verá Hugo, personagem principal da tira Vida Boa. A ironia é tanta, que até o título é irônico. Ou você realmente esperava uma tira de humor com um personagem estável, feliz e saltitante?

Hugo é um cara jovem, desempregado, sem namorada, sem grana, sem amigos, que mora em um apartamento sem móveis. Hugo também é um chato bipolar: hora ele chateia sendo irritantemente feliz e alienado, hora ele chateia se deprimindo e se afundando em autopiedade. Hugo é a boa-alma que é enganado por diversos personagens, que acredita que tudo na vida muda depois de um banho quente (e toma logo dois), que se enfia em um buraco na calçada, que não consegue mentir pro garçom de um bar que ao tem dinheiro pra pagar a conta. Eis nosso personagem principal.

Hugo e Vida Boa surgiram quando Zimbres ganhou um concurso de tiras da Folha de São Paulo e publicou no jornal de 1999 a 2001. O álbum da editora Zarabatana Books coleta todas essas tiras (exceto algumas tiras de piadas defasadas pelo tempo, segundo o autor) e acrescenta um final à pequena odisseia urbana de baixo orçamento de Hugo (e põe baixo orçamento nisso).

E quando eu digo odisseia não estou querendo usar um termo pomposo (embora seja um termo pomposo) para falar do apanhado das histórias do personagem; Zimbres cria uma longa história com o personagem, seqüenciada. É algo pouco comum nas tiras de humor e nas tiras nacionais.

Ao ler uma única tira, está tudo ali: os personagens, a situação, a resolução e a piada. Como uma tira dos skrotinhos, do Angeli, ou dos Malvados, de André Dahmer. E é divertida. Ao ler um sequência delas (ou todas, porque depois que você começa, não dá mais para parar de ler) o leitor conhece uma trajetória desastrosa e extremamente hilária.

Eu falei extremamente? Talvez isso não seja bem verdade. O humor de Zimbres ataca aos poucos, corroi a resistência do leitor, convence e faz rir. Como quando Hugo resolve roubar um copo no bar e levar pra casa. Só que o copo... acho melhor parar por aqui. A última coisa que se pode falar de Vida Boa sem começar a estragar surpresas é: leia!




Um comentário:

Vanessa disse...

Parece muito bom, hein...

Ótima resenha!